Faltando pouco mais da metade do prazo estabelecido pela Receita Federal, 63% dos contribuintes potiguares ainda não enviaram a declaração do Imposto de Renda 2026. Até as 7h30 desta quinta-feira (23), 162.853 declarações haviam sido entregues no Rio Grande do Norte, o equivalente a quase 37% do total esperado para o estado, que é de 444.498. O prazo para envio teve início em 23 de março e segue até 29 de maio.
Quem perder a data limite está sujeito a multa mínima de R$ 165,74, podendo chegar a até 20% do imposto devido. Para o sócio-diretor da Rui Cadete Consultores e Auditores Associados, Daniel Carvalho, o ritmo está dentro do esperado, mas a cultura do brasileiro de deixar para a última hora aumenta o risco de erros, inconsistências e até instabilidades nos sistemas da Receita, que tendem a sofrer sobrecarga nos últimos dias.
“Historicamente, muitos contribuintes vão empurrando a obrigação para os últimos dias, mas a pressa é inimiga do contribuinte, especialmente para quem usa a declaração pré-preenchida. Embora esse modelo agilize o processo, o contribuinte continua responsável por revisar todas as informações, já que qualquer divergência pode gerar pendências com a Receita e comprometer a restituição, para quem tem valores a receber”, afirma o contador.
Além disso, Daniel explica que, no ano passado, a Declaração de Imposto Retido na Fonte (DIRF) foi substituída pelo eSocial e pela EFD-Reinf para prestação de contas sobre rendimentos e retenções. Assim, as informações que antes eram consolidadas e enviadas anualmente pelas empresas à Receita Federal passaram a ser prestadas de forma mais detalhada e periódica, ao longo do ano, por meio desses sistemas.
“Enquanto o eSocial reúne dados trabalhistas e previdenciários, a EFD-Reinf contempla as retenções de tributos e outras informações, o que amplia o cruzamento de dados pelo Fisco e exige ainda mais atenção de empresas e contribuintes. Por isso, muitos contribuintes têm notado divergências entre os valores apontados na declaração pré-preenchida e aqueles efetivamente recebidos no ano passado”, diz o diretor da Rui Cadete.
Ele ainda lembra que as mudanças recentes na faixa de isenção do Imposto de Renda não impactam a declaração deste ano. “Apesar da ampliação da faixa de isenção para quem ganha até R$ 5 mil e da redução do imposto para rendas de até R$ 7,35 mil, essas alterações só terão efeito prático na declaração de 2027, porque a declaração atual considera os rendimentos de 2025”, pontua Daniel.